segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

As negociações Mercosul-União Europeia

As negociações Mercosul-União Europeia

Existe um conjunto de temas cujo encaminhamento exige decisão política capaz de gerar o equilíbrio necessário para a finalização do acordo

28 DEZ2018
05h11
atualizado às 10h41
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Como parte do esforço de modernização da inserção econômica internacional do País, a política externa do governo Temer dinamizou as negociações comerciais com outros países e blocos. A negociação entre Mercosul e União Europeia, que estava em banho-maria, ganhou ímpeto em função de seu potencial de redefinir o perfil de nossas relações econômicas e comerciais externas. Vimos aí uma oportunidade para que o Brasil e o Mercosul avançassem de maneira resoluta numa integração competitiva com o mundo, sobretudo à luz da paralisia da vertente negociadora da OMC. Buscamos recuperar o tempo perdido e foi possível fechar 12 dos 15 capítulos do amplo acordo birregional com a UE.
Chegamos muito perto de concluir o acordo, mas permanecem alguns temas sensíveis a resolver. De qualquer forma, o legado que este governo deixa para o próximo não será perdido. A partir de 2019, as negociações poderão ser retomadas sobre uma base mais sólida. A conclusão dessa negociação - em conjunto com os processos negociadores lançados recentemente pelo Mercosul com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), o Canadá, a Coreia do Sul e Cingapura - é particularmente importante porque deve assegurar ganhos competitivos decorrentes de regulamentação aprimorada, processos internos mais eficientes e insumos produtivos melhores e mais baratos. Evidentemente, essa nova agenda externa não pode avançar no vazio, mas deve se fazer acompanhar do esforço doméstico de reforma, dois aspectos do mesmo impulso de modernização.
'Em termos quantitativos, podemos dizer, sem medo de errar: o principal já foi feito'.
'Em termos quantitativos, podemos dizer, sem medo de errar: o principal já foi feito'.
Foto: Divulgação / Estadão
Estamos literalmente negociando com Bruxelas desde o século passado. A dificuldade em lidar com temas sensíveis, contudo, gerou longas interrupções, seguidas por retomadas custosas. A etapa atual, iniciada em maio de 2016, não se confunde com as anteriores. As dificuldades que restam são comerciais e, mesmo nessa área, capítulos inteiros foram concluídos ou praticamente concluídos. Entendimentos convergentes também foram encontrados para vários temas complexos, como barreiras técnicas e restrições sanitárias e fitossanitárias. Em termos quantitativos, podemos dizer, sem medo de errar: o principal já foi feito.
O que resta por acordar, contudo, é o que existe de politicamente mais sensível. Nesse aspecto, o Mercosul não se mostrou tímido. No setor automotivo, um dos grandes desafios da negociação, confirmamos nossa disposição em assegurar resultado final de plena liberalização. Aceitamos nos mover em direção a regras de origem mais flexíveis, oferecemos cobertura setorial abrangente em acesso ao mercado de serviços e preparamos ofertas nacionais ambiciosas em compras governamentais. Confirmamos, inclusive, disposição de garantir um dos resultados mais abrangentes de proteção de indicações geográficas jamais incluído em qualquer acordo da UE. Demonstramos total disposição em abordar temas novos, como sustentabilidade ambiental e questões laborais, sem enfoques excessivamente defensivos.
O tratamento de temas sensíveis exige flexibilidade dos dois lados. Frequentemente, a busca do objetivo ideal inviabiliza o bom acordo, pondo em risco ganhos reais. O sucesso da negociação Mercosul-UE depende de uma análise cuidadosa de oportunidades que serão perdidas caso se insista em atender a todas expectativas das partes, mesmo quando claramente irrealistas. Melhor seria assegurar rapidamente o bom acordo e, posteriormente, utilizar seus mecanismos de revisão para aperfeiçoamentos.
Em agricultura, apesar de o Mercosul manter enfoque de realismo e de moderação, lamentavelmente não foi possível se aproximar, até o momento, do resultado que se espera com a UE. Entendemos a sensibilidade europeia no setor, mas não podemos assinar um acordo que não reflita a realidade dos países membros do Mercosul como exportadores destacados de carnes, açúcar, etanol e arroz. Se abrir nossos mercados atende aos interesses dos consumidores do Mercosul, o mesmo vale para os consumidores europeus.
O desenvolvimento brasileiro seguiu historicamente padrão de substituição de importações. Hoje, os benefícios desse enfoque defensivo são inferiores aos custos de continuarmos com uma integração global insuficiente. No entanto, não é simples alterar perspectivas tão enraizadas. Para o Brasil e para o Mercosul, apresentar a oferta hoje sobre a mesa exigiu enfrentar interesses protecionistas e pode representar a mudança de um paradigma de desenvolvimento, fato que nem sempre é levado na devida conta pelos nossos parceiros europeus. De sua parte, a nossa expectativa é a de que a UE também enfrente suas pressões protecionistas, particularmente no campo agrícola, e reconheça o enorme esforço realizado pelo Mercosul.
O desafio atual, mais do que técnico, é de natureza política. Existe um conjunto de temas cujo encaminhamento exige decisão política capaz de gerar o equilíbrio necessário para a finalização do acordo. O entendimento sobre esse núcleo de temas essenciais poderia gerar efeitos positivos sobre a negociação de temas técnicos, superando, assim, o ritmo de avanço incremental das rodadas negociadoras recentes. Espero que o Mercosul, mantendo seu enfoque de abertura, consiga trazer a UE para essa convergência de vontades políticas no próximo ano. Disso depende um acordo que será importante para os dois lados e que, em um mundo marcado por múltiplas ameaças protecionistas, representará valiosa demonstração de nosso compromisso com o livre-comércio.
* MINISTRO DA RELAÇÕES EXTERIORES
Estadão
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Nos trilhos: teste de VLT Brasília-Valparaíso começa em 30 dias

 
O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que ligará Brasília a Valparaíso (GO), no Entorno do Distrito Federal, começa a entrar nos trilhos nos próximos 30 dias. No fim de janeiro, os dois vagões iniciam as viagens experimentais, sem passageiros. A fase de testes vai durar dois meses, período em que serão avaliadas estabilidade, velocidade e segurança do meio de transporte. A ideia original era que a linha fosse até Luziânia (GO), mas a atual malha ferroviária não chega até lá. Não há previsão para estender a linha até o outro município goiano.
“Estou depositando muitas fichas nesse projeto do Ministério das Cidades porque são necessários apenas pequenos reparos nos trilhos e nas ferrovias, além de construir algumas estações de apoio. Dando certo, como esperamos, será uma alternativa barata, rápida e eficaz para quem mora no Entorno e trabalha no DF”, disse o governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) ao Metrópoles.
O projeto será tocado pela Secretaria da Região Metropolitana, que deve ser criada a partir de 1º de janeiro. O nome anunciado pelo emedebista para a pasta é de Paulo Roriz, que já comandou órgão similar em 2005, durante o governo de Joaquim Roriz.
Apoio do governo federalHá 15 dias, uma reunião com representantes do governo de transição e o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Silvani Alves Pereira, selou o acordo. É a pasta federal que abriga a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), órgão responsável pela nova linha. O projeto é paralelo ao chamado “expresso pequi”, trem de alta velocidade que ligará Brasília a Goiânia. A proposta ainda está em estudo pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O VLT foi escolhido para reaproveitar linhas férreas já existentes. O modal é mais silencioso do que o metrô, por exemplo, e muito menos poluente, considerado um meio de transporte ideal na ligação entre centros urbanos e regiões com potencialidade rural. A velocidade pode chegar a 76 km/h e combustível usado é o diesel.
O governo ainda analisa o valor da passagem, mas pretende utilizar a nova linha para desafogar as vias do DF que fazem ligação com a região mais densa do Entorno. Até Valparaíso, de carro, o trajeto de 37 km pode levar 45 minutos. De trem, o percurso deve ser feito em até 30 minutos: os dois vagões farão duas viagens diárias.

REPRODUÇÃO / ANTT
Reprodução / Antt
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Mapa atual das ferrovias na região metropolitana do Distrito Federal

ConvênioSegundo o futuro secretário do Entorno, Paulo Roriz, o convênio com o governo federal prevê a operacionalização da linha até 30 de janeiro, caso tudo ocorra no prazo trabalhado pelo Ministério das Cidades.
“Os dois vagões já estão prontos e a caminho do DF. O ministro colocou outros veículos à disposição, sem contrapartida. Estamos trabalhando para que essa fase experimental ocorra e o transporte de passageiros comece ainda no primeiro semestre de 2019”, ressaltou.
A ideia original será reativar a Rodoferroviária, localizada no fim do Eixo Monumental, hoje sede da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa). Com a arquitetura horizontal assinada por Oscar Niemeyer e suas fileira de janelas – as quais sugerem um longo trem de passageiros –, a estação tem estrutura de ligação para cinco plataformas e permite o embarque e desembarque de uma dezena de trens ao mesmo tempo.
Brasília – Luziânia
Para a ampliação até Luziânia, o governo local terá parceria com o Governo Federal e o Governo de Goiás. A obra consiste na reestruturação de um trecho concedido à Ferrovia Centro Atlântica (FCA), interligando a Rodoferroviária de Brasília e a Rodovia GO-010, em Luziânia. A linha tem potencial de encurtar o tempo gasto pelos moradores da cidade goiana no trajeto até o centro da capital federal, que, no horário de pico, pode chegar a duas horas.
O corredor será uma das obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que também vai financiar a modernização e a ampliação do Metrô do Distrito Federal – incluindo compra de novos trens e a extensão até a Asa Norte.
De acordo com a ANTT, o valor da linha ferroviária Brasília-Luziânia ainda não pode ser calculado ou sequer garantido. A ampliação ainda está em fase de discussão. “As tecnologias ferroviárias deverão ser apresentadas com suas especificações, vantagens e desvantagens, limitações, custos e prazos relativos ao fornecimento, instalação e manutenção, dentre outros aspectos considerados relevantes”, observa o chamamento da agência.
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