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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

A missão pretende confirmar se as batatas e as plantas “Arabidopsis thaliana” crescem em ambiente controlado, confinado à microgravidade


A missão pretende confirmar se as batatas e as plantas “Arabidopsis thaliana” crescem em ambiente controlado, confinado à microgravidade
O projeto “Chang’e-4”, desenvolvido pela agência espacial chinesa, pretende colocar um veículo robotizado na superfície lunar para estudar a parte da Lua que não é visível da Terra. A sonda será lançada esta sexta-feira.
Um dos objetivos da missão – segundo avança a revista científica Nature – é testar o crescimento de duas espécies de plantas na superfície lunar. Para isso será testado a plantação da batata e da planta herbácea “Arabidopsis thaliana”, da família da mostarda, num ambiente controlado, mas confinado à microgravidade existente na Lua. Assim será possível perceber se as espécies em questão crescem e fazem fotossíntese nestas condições.
A escolha das espécies a testar está relacionada com experiências efetuadas anteriormente na Estação Espacial Internacional. Segundo os testes, tanto a batata como a “Arabidopsis thaliana” conseguem crescer em ambientes controlados que estejam sujeitos a uma força da gravidade inferior à da Terra.
Para além disso, o veículo robotizado está preparado para avaliar a espessura das camadas subterrâneas, estudar a composição mineral à superfície e captar sinais de radiofrequência que normalmente são bloqueados pela atmosfera terrestre. Também o gás interestelar e os campos magnéticos vão ser alvo de análise pela “Chang’e-4”.
A sonda será lançada na tarde desta sexta-feira (madrugada de sábado na China) e está prevista aterrar na cratera Von Kármán – a maior e mais antiga depressão da lua – no Polo Sul-Aitken. "É uma área-chave para dar resposta a várias questões sobre a história da formação da Lua, incluindo a sua estrutura interna e a evolução da sua temperatura", explica o investigador da Universidade Politécnica de Hong Kong, Bo Wu, à revista Nature.
A agência espacial chinesa está já a preparar uma nova missão – “Chang’e-5” – que deverá ser lançada em 2019 e terá como objetivo recolher amostras do solo da Lua.

batata na identidade



A BATATA NA IDENTIDADE

Sexta, 07 de Dezembro de 2018 91 visualizações Partilhar
Uma batata é um tubérculo, com origem na cordilheira dos Andes. Cultivada, segundo os investigadores, há pelo menos 8 mil anos, foi um grande suporte alimentar do Império Inca.
Espalhada pelo mundo inteiro pelos colonizadores europeus é, actualmente, o quarto alimento mais consumido, do Mundo.
Um texto acerca da ilha Terceira e dos Açores, inscrito num atlas de Ortelius, de 1604, refere que a gente come uma coisa “a que chamam patata”, isto em finais do século XVI. Ainda não consegui saber se seria doce ou da terra, pois sabe-se que já havia plantio de batata, em Inglaterra, em 1597, mas o certo é que a patata já andava por cá.
Com a revolução industrial a batata revelou-se um alimento fundamental para ultrapassar as crises cerealíferas na Europa, adquirindo, definitivamente o peso que hoje tem.
Enfim, o ano de 2008 foi celebrado como o Ano Internacional da Batata, pelas Nações Unidas.
Trago todo este relambório, aqui a estas páginas, porque se continua a insistir em usar batata de mistura com Alcatra!
Ora a Alcatra, o célebre prato típico da ilha Terceira, que agora se vai espalhando por algumas outras, gosto meu de partilhar, mas esperando que isso não signifique o desaparecimento da variada culinária, ligada à época e ás festividades do Espirito Santo, não tem batata. Ponto!
A Alcatra, como várias vezes tenho tido oportunidade de conversar com o meu amigo Grão-mestre da respectiva Confraria, (ele fala da sua querida Alcatra, eu do meu querido Verdelho dos Açores e dos Biscoitos, e partilhamos alegrias e agruras) tem origem diferente, europeia do Sul, e não se consta que tenha sido acompanhada, alguma vez, com outra coisa que não pão. Um pão especial que, em boa verdade, fica a meio caminho entre a massa cevada e o pão de água e se chama pão-de-leite.
É que a Alcatra não é um prato qualquer. É um prato identitário, um prato comemorativo, de um momento especial na comunidade, a época do Espírito Santo, uma das poucas ocasiões em que podiam, ao menos uma vez por ano, meter o dente em carne e saborear pão de trigo. Porque as alternativas, desde o pão de milho, às castanhas, às favas, ao feijão, às batatas… era disso que comiam o resto do tempo.
Quando, sem terem culpa disso, turistas e pessoas menos informadas, pedem batata e salada, para acompanhar, custa muito, muitíssimo mesmo, ver os nossos restaurantes a curvarem a espinha, solícitos, e a albardar a coitada à vontade do cliente, sem, pelo menos, explicarem a razão pela qual, se querem Alcatra com batata, então peçam carne guisada ou assada, com todas as batatas que entenderem, e ficamos todo felizes.
Experimentem ir a uma dessas outras terras e a fazer tropelias dessas com alguma comida “especial” que eles nos quiserem dar! Mandam-nos dar uma volta, explicam que ali é assim e, com o maior sorriso do mundo estampado no rosto, esperam que a gente coma e goste.
Aqui devia ser o mesmo! Porque a nossa identidade não é uma batata!
Post Scriptum: Batata também pode querer dizer mentira, na linguagem comum.