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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Por que os finlandeses não gostam de conversa fiada



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Por que os finlandeses não gostam de conversa fiada
Posted: 16 Dec 2018 10:00 AM PST


Publicado na BBC
Conheci minha agora melhor amiga Hanna alguns anos atrás, durante minha primeira visita a Helsinque, em um café marcado no desespero.
Sem nenhum conhecido na cidade, eu só queria que alguém se sentasse ao meu lado em público. Como tínhamos uma ligeira conexão de trabalho, ela se encaixava nesse perfil.
Nosso drink rapidamente se transformou em jantar, encerrando quatro horas mais tarde, depois de mergulharmos em temas como política, religião, sexo e vida – o tipo de assunto que normalmente leva anos para ser abordado por amigos.
Um ano depois, eu voava de volta para lá para ser uma das damas de honra em seu casamento, ainda chocada com a rapidez com que construímos uma conexão.
“Laura…”, ela me resumiu com naturalidade quando perguntei por que tínhamos nos conectado tão rapidamente.
O que ela deixou de me dizer, no entanto, é que os finlandeses pensam o seguinte: se não há um tópico importante para discutir, não há conversa alguma. Na verdade, um de seus ditados nacionais é “Silêncio é ouro, falar é prata”.
Pequenas conversas fora das situações sociais entre amigos íntimos são praticamente inexistentes. Interações com baristas? Limitadas ao nome do café que você deseja encomendar. Sentar, andar ou ficar de pé de uma maneira que requer reconhecer a presença de um estranho? Nunca. (Um meme mostrando pessoas de pé do lado de fora de um ponto coberto de ônibus, sob chuva, em vez de estar sob ele é uma piada frequentemente publicada na Finlândia para ilustrar esse hábito.)
Se você é estrangeiro, parabéns – você é provavelmente a pessoa mais barulhenta no sempre silencioso transporte público deles.
Com 2 milhões de saunas no país, que são desfrutadas por pessoas completamente nuas (geralmente segregadas por gênero, embora essa regra tenda a ser descartada na companhia de amigos), os finlandeses parecem não ter nenhum problema em se aproximar de forma pessoal. Mas quando se está de roupa, as coisas mudam completamente.
Aula de bate-papo
Os finlandeses frequentemente deixam de lado as sutilezas de conversas que são cultivadas em outras culturas, e normalmente não veem a necessidade de encontrar colegas estrangeiros, turistas e amigos. Como explicou Tiina Latvala, ex-instrutora de inglês em Sodankylä, na Lapônia, parte de seu trabalho era apresentar a seus jovens estudantes o conceito de conversa fiada.
“Nós tivemos um exercício em que você tinha que fingir conhecer alguém pela primeira vez”, conta Latvala. “A gente tinha que fingir que encontrava com alguém no café ou no ônibus e que a gente não se conhecia e batia um papo. Nós escrevemos na lousa todos os tópicos seguros para que eles não precisassem se esforçar em criar algo para falar. Nós tivemos que fazer um ‘brainstorm’ para isso. Os finlandeses geralmente acham isso muito difícil.”
A estudante Alina Jefremoff, 18, de Helsinque, lembra de ter feito exercícios parecidos sob um ar de incredulidade.
Graças à televisão e a filmes principalmente transmitidos em inglês, ela já estava familiarizada com os estilos de comunicação não-finlandeses. Mesmo assim, teve que fazer vários deveres de casa no estilo “ligue os pontos”.
“[Os exercícios] eram sobre conversas básicas”, lembra. “As respostas já estavam lá. Éramos ensinados a responder ”Eu tô ótimo, e você?’; ou ‘Como está sua mãe?’. Era para deixar claro como participar de uma conversa, como se já não soubéssemos. Foi muito estranho… Era como se houvesse respostas certas para as perguntas.”
Quando questionada de que maneira desejava que a sociedade finlandesa fosse mais aberta, Jefremoff deu como exemplo uma coisa boba: derrubar um de seus livros no metrô e depois rir de si mesma. E que estranhos se juntassem a ela para reconhecer a tolice da situação rindo ou comentando.
Mas interagir com pessoas que você não conhece não é algo que eles aprenderam.
Estereótipo do finlandês calado
Há mais hipóteses do que respostas para que a cultura finlandesa use permanentemente um véu de silêncio. Latvala acredita que tem a ver com a complexidade da língua finlandesa e as longas distâncias entre as cidades (raciocínio dela: se você viajou para ver alguém, por que perder tempo com conversa fiada?).
No entanto, a professora Laura Kolbe, que ensina história europeia na Universidade de Helsinque, vê esse tema por meio de uma lente comparativa. Os finlandeses, diz ela, não veem sua quietude ou a falta de ter conversas fiadas como algo negativo.
Mas toda cultura julga a outra em suas normas sociais, daí o estereótipo difundido do finlandês silencioso entre as nacionalidades mais emotivas.
“A ideia de silêncio tem prevalecido especialmente quando os finlandeses são vistos pelos olhos de vizinhos próximos”, diz ela. “Por exemplo, quando as pessoas de língua sueca e alemã vieram para a Finlândia no passado, viram os finlandeses como cidadãos silenciosos, imaginando por que as pessoas não falavam nada de sueco ou alemão e permaneciam em silêncio entre seus convidados”.
Não é por falta de conhecimento de outra língua, já que a Finlândia tem dois idiomas nacionais – o finlandês e o sueco. E os nativos começam a aprender inglês aos seis ou sete anos. Mas é porque, quando eles precisam se expressar na segunda (ou terceira) língua, muitas vezes preferem não dizer nada em vez de se arriscarem e não serem totalmente compreendidos.
No entanto, quando estão entre eles, o silêncio funciona como uma espécie de prolongamento de uma conversa confortável.
Silêncio é respeito
Essa é uma tese apoiada pela doutora Anna Vatanen, pesquisadora da Universidade de Oulu. Ela tem um estudo chamado “Lapsos em interação e o estereótipo do silencioso finlandês” que demonstra que, pelo menos entre si, os finlandeses se comunicam por meio de um silêncio confortável – particularmente entre os familiares.
Quando se trata de pessoas de fora que julgam a franqueza estereotipada do finlandês, Vatanen adverte que algumas nuances se perdem na tradução.
“Não se trata da estrutura ou dos recursos da linguagem, mas das maneiras pelas quais as pessoas usam a linguagem para fazer as coisas”, diz;
“Por exemplo, a pergunta ‘Como você está?’ é mais frequentemente usada no começo de um encontro. Nos países de língua inglesa, é usada principalmente como uma saudação e nenhuma resposta séria é esperada.
Pelo contrário, a contraparte finlandesa (Mitä kuuluu?) pode esperar uma resposta “real” depois disso: muitas vezes a pessoa que responde à pergunta começa a dizer como a sua vida realmente está no momento, o que há de novo, como ela está indo.
Quando os finlandeses optam por não participarem de uma conversa casual tem algo relacionado a respeito, diz Karoliina Korhonen, autora de Pesadelos Finlandeses, um livro e uma série de quadrinhos online onde um finlandês mediano lida com os terrores mais benignos da vida.
Por que arriscar fazer alguém se sentir desconfortável?
“Eu gosto de pensar que o povo finlandês valoriza o espaço pessoal”, observa ela. “Se você não conhece outra pessoa, não quer incomodá-la. Eles podem estar aproveitando seu próprio tempo ou não querem que um estranho venha incomodá-los. Se você vir que ele está aberto (a conversar) e você também, pode rolar alguma coisa. Mas na maioria das vezes, as pessoas são educadas e mantêm distância.”
Questão cultural
O desejo dos finlandeses de evitar contato é uma predisposição tão comum que se tornou algo incorporado à cultura deles.
O piloto de Fórmula 1 Kimi Räikkönen construiu sua imagem icônica em torno de sua falta de palavras. Os quadrinhos usam a falta de conversa fiada do finlandês como parte de sua rotina. Até se tornou algo internacional: graças ao aumento inesperado dos quadrinhos de Korhonen na China, os adolescentes de lá que não gostam de interações sociais estão se descrevendo como “espiritualmente finlandeses”.
Em alguns casos, porém, a sociedade finlandesa parece estar tendendo para uma ligeira abertura. Lentamente, diga-se.
Para Jussi Salonen, COO da empresa finlandesa de chocolate Goodio, estar morando há dois anos em Los Angeles o fez querer levar um pouco do espírito mais aberto dos Estados Unidos para seu país de origem.
“Quando eu estive [de volta] à Finlândia, fiquei quase ofendido quando fui tomar uma xícara de café em uma cafeteria e eles não disseram nada”, lembra. “Era só ‘O que você quer?’. Como você pode dizer aquilo? Você não vai perguntar nada antes disso? Aí pensei, Oh, sim. Este é o meu país de origem. É assim que as coisas são. Foi engraçado notar como as coisas ficaram um pouco distorcidas quando eu estava morando lá… acho que um pouco de comunicação ou de conversa fiada não dói”.
É uma ideia esperançosa que os finlandeses entendam a diferença das outras culturas em relação a esse tópico e mesmo assim sigam respeitando a privacidade um do outro. Por enquanto, a Finlândia segue sendo uma das dicotomias sociais mais interessantes.
Claro, você pode não falar com as pessoas na rua. Mas se você tiver sorte, às vezes um estranho instantaneamente se tornará um amigo e lhe dirá tudo.
  
As armadilhas do amor: por que reatar um relacionamento pode ser prejudicial à saúde
Posted: 16 Dec 2018 08:00 AM PST


Publicado no El País
Se você ainda é jovem e está cheio de amor para dar, e se as estatísticas não falham, retomar um relacionamento fracassado lhe parecerá uma opção mais do que normal; 44% dos amantes de 17 a 24 anos voltam com seus ex-parceiros, e mais da metade dos que rompem continuam mantendo relações sexual com eles. As idas e vindas entre os adultos são menos habituais: só 37% dos casais que viveram juntos, e 23% dos casados, retomaram o relacionamento após a ruptura. Ainda bem.
Você pode até dar sorte na nova aventura, mas retomar um relacionamento fracassado em geral é uma má opção. É o que alerta Amber Vennum, professora de estudos familiares e serviços humanos da Universidade Estadual do Kansas, que observou que quase um quarto dos casamentos tem uma segunda parte. Seu trabalho sugere que, se você permitir, o ideal é não voltar para o(a) ex, porque o prognóstico para esse relacionamento costuma ser pouco lisonjeiro.
Você não é romântico, é que romper dói mesmo
Um histórico prolongado de rupturas e reconciliações está relacionado a um aumento de transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão. E, quando as relações de casal viram um vaivém, os níveis hormonais disparam, e há alterações no sono, apetite, temperatura corporal e ritmo cardíaco. É o que diz Trinidade Bernal Samper, doutora em Psicologia, membro do Colégio de Psicólogos de Madri e diretora dos programas de mediação da Fundação ATYME, cujo trabalho se centra na mediação de relacionamentos.
A depressão, que não é o mesmo que tristeza, fragiliza o sistema imunológico, por isso não é raro que os rompimentos sejam acompanhados de infecções, por estranho que pareça. Às vezes, a coisa se complica, e o próprio indivíduo decide se encaminhar para o abismo; adquire hábitos nocivos como o consumo de álcool, tabaco ou outras substâncias.
É compreensível querer se distanciar da realidade, pois o fim de um relacionamento afetivo “é uma das experiências mais dolorosas que o ser humano pode sofrer”, segundo Bernal. “É carregado de uma grande intensidade emocional e acompanhado de pensamentos de continuar em contato com o outro, que costumam reavivar a dor, o ódio e as fantasias de voltar a estar juntos”, explica. Mas a realidade é teimosa, e o momento de acabar com o namoro ou casamento tem uma importância crítica. Para não se arrepender, pense duas vezes antes de tomar a decisão e analise bem os motivos que provocaram a separação.
O melhor jeito de superar o baque
Acabar de bem não é fácil, mas é preciso tentar. Bernal diz que, se for possível, convém se separar da maneira mais pacífica e consensual possível. E que dispor de um mediador e de um lugar neutro para conversar sobre os motivos da separação, e tentar que nenhum dos dois se sinta prejudicado, ajuda. “É preciso saber manter um ritmo compassado, não desaparecer da vida do outro sem dizer uma palavra, dar tempo ao que não deseja romper e, se houver filhos, poder manter as funções de pais. Terminar bem é o melhor antídoto para que a dor não se torne crônica”, sentencia a psicóloga.
A oxitocina, ou hormônio da felicidade, faz o amor virar um vício e motiva as recaídas
Uma vez que ocorreu a separação, a resposta mais normal tende a ser a imobilidade, voltar-se para dentro de si mesmo e recriar as vivências de casal através das lembranças, dos pensamentos, das fotos e vídeos. O melhor é inverter essa tendência e manter-se ativo, limpar a mente, sair com amigos, evitar tudo o que lembrar o ex-parceiro – depois, quando estivermos preparados, chegará a hora de tirá-lo do armário.
“É bom recuperar ou encontrar interesses para recuperar a vontade de viver (o ikigai, para os japoneses) e modificar os pensamentos negativos que levam à depressão, assim como evitar a autocomiseração”, recomenda Bernal. Também é importante evitar perseguir o ex-parceiro, ou seja, não ficar procurando informações sobre suas atividades nas redes sociais ou perguntando a amigos, parentes e outros círculos próximos. E sem essa de que “a fila anda” – a expressão popular pode nos atirar em um novo relacionamento sem que estejamos preparados.
Chorar e refletir, o melhor antídoto para não voltar
O amor é como uma droga, e é preciso aguentar a síndrome de abstinência. Quando a relação é continuada, o organismo segrega oxitocina, uma molécula conhecida como o hormônio da felicidade, e, ao dar-se a separação, a pessoa sente falta do seu efeito. “Como qualquer conduta dependente, pode-se recorrer a um profissional para que ele ajude a nos livrarmos do vício e a elaborar uma lista de ações rápidas para aqueles momentos em que bate o impulso de entrar em contato com o ex.”
As segundas chances não são proibidas, mas não devem ser levadas a sério
Muitas vezes basta não se reprimir para eliminar o estresse, como explica Esteban Cañamares, psicólogo especializado em relacionamentos afetivos e sexualidade do Colégio Oficial de Psicólogos de Madri. Para ele, se esforçar para estar bem não vale muito, o melhor é chorar o quanto der vontade. “Cedo ou tarde, teremos uma pausa para poder voltar a nos entusiasmar”, sentencia o especialista. Agora, passada essa etapa, é preciso refletir sobre o que fracassou para não repetir o erro em futuras relações, que seguramente virão.
Quando vierem, procure que as experiências passadas não se apoderem das presentes, e leve em conta que uma ruptura nem sempre é negativa. Em alguns casos, a experiência ruim se transforma em um precioso aprendizado, como a lagarta que, após uma linda metamorfose, vira borboleta.
As segundas chances podem ser boas… às vezes
Ignasi Puig Rodas, sexólogo e psicólogo especialista em terapia de casal, considera que dar um tempo às vezes pode ser benéfico, que férias conjugais também são positivas para dar um distanciamento e rever o que não funciona. Agora, retomar o relacionamento após um curto espaço de tempo poderia indicar uma falta de reflexão e um mau presságio de futuro. A saudade e a mente nos pregam peças. Minimizamos o que é negativo e recaímos.
Em todo caso, estabelecer uma relação de amizade com o(a) ex nem sempre é tão bom sinal como parece. Pelo menos é o que indica um estudo da Universidade de Oakland, segundo o qual essa conduta esconde traços maquiavélicos, narcisistas e psicopáticos.
Mas, calma, nem todos os casos são iguais. O sexólogo conclui que isto só pode se aplicar àquelas pessoas que tendem ao jogo de nem com você nem sem você, e que têm certa necessidade de manipular os outros. Mas essa é outra história, e não exatamente de amor.
  
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

cearenses em mato grosso


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Festa de São Francisco/ Ponte Alta / Irmandade de São Francisco 03/10/2017 19:21

Festa de São Francisco de 04 a 08 de outubro de 2017 em Ponte Alta. Confiram a programação!

Há 105 anos a Irmandade de São Francisco em Ponte Alta celebra o dia de São Francisco em 04 de outubro de 2017. Conheçam a origem da festa.
Assessoria de Campo VerdeAssessoria de Campo Verde
 por Valdeque Matos - UniversoMT 

Devotos de São Francisco celebram uma tradição que não se perde no tempo, mantendo a sua peculiaridade no local que foi instalado o primeiro assentamento de Mato Grosso, na região onde está a comunidade de Ponte Alta, no município de Chapada dos Guimarães. É a festa da Irmandade de São Francisco, que todos os anos, há mais de um século, reúne durante quatro dias milhares de pessoas, vinda de todos os cantos do estado e, também, de outras unidades da federação.
Organizada pela Irmandade de São Francisco de Ponte Alta, a festa religiosa, que ocorre, anualmente, em torno do Dia de São Francisco de Assis, comemorado em 4 de outubro, é uma herança dos primeiros moradores do local, que um dia foi uma comunidade agrícola formada por famílias vindas do Ceará, no final do século XIX. A Irmandade de Ponte Alta congrega descendentes destas famílias de cearenses, inclusive com muitos deles morando em Rondonópolis.
 A 105º edição da festa em Louvor a São Francisco de Assis, o santo católico protetor dos animais e que tem muitos devotos no nordeste brasileiro, começa na noite de quarta-feira (4 de outubro), com uma missa na capela da comunidade de Ponte de Alta, distante cerca 150 km de Rondonópolis e a 25 km de Campo Verde. Este ano, uma das missas será celebrada pelo Frei Leodir Carraro, que é pároco da Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, em Rondonópolis. O encerramento da festa acontece no domingo (8 de outubro), com missa, churrasco, leilão e o sorteio dos festeiros do próximo ano.
Nos dias da festa acontecem animados bailes, leilões e, além disso, são oferecidos aos participantes, gratuitamente, almoço, janta e café da manhã. Este ano são esperadas mais de quatro mil pessoas, vindas de vários lugares. Inclusive, estarão lá muitos “irmãos”, como são chamados os descendentes dos primeiros moradores da comunidade, que moram hoje em Rondonópolis.
“Matar a saudade”
Os descendentes aproveitam os quatros dias da festa de homenagem a São Francisco para “matar a saudade”, reverenciar a memória dos antepassados e manter viva a festa religiosa, que é uma das mais tradicionais de Mato Grosso. “Muitos saem de longe, até mesmo de outros estados, para participarem dos quatro dias de festa”, conta Solange Campos, que é proprietária da fazenda, onde hoje a comunidade se localiza.
Uma delas é a filha de Solange, Helen Campos (31 anos). Professora da rede estadual, em Rondonópolis, onde mora há três anos, estará lá mais uma vez, acompanhada da filha de seis anos, que é da quarta geração da irmandade de São Francisco de Ponte Alta. “Participo desde pequena, gosto muito. É uma tradição nossa que vai passando de geração para geração. Faço questão de levar minha filha, para que este costume siga, não acabe”.
 Outro morador de Rondonópolis que estará presente na festa é o empresário do ramo de restaurante, Edmildo Campos, o Rico. Nascido em Ponte Alta, o filho de pioneiros da comunidade, o casal Francisco Campos e Jovelina Campos Melo, tem 63 anos e todos anos vai  até Ponte Alta.
Ele, que mora em Rondonópolis desde 1991, estará lá no fim de semana ao lado da esposa, uma neta e o irmão, Supriano da Silva (74 anos). “A festa faz parte da minha vida. Todos os anos estamos lá. Temos irmãos espalhados por todo lado, a festa é um momento para reunirmos e matar a saudade”, define Rico.
Os membros da irmandade levam ao pé da letra um dos ensinamentos de São Francisco: “é dando que se recebe”. Tanto que nos quatro dias de festa uma fartura de comida é oferecida, gratuitamente, para todos que chegam para participar das homenagens a São Francisco. No local, tem mais de 200 suítes, pertencentes aos membros da irmandade e servem para abrigar os participantes da festa.
Para alimentar todos festeiros, é preciso preparar muita comida. Só de linguiça, feita de forma artesanal à base de carne suína e bovina, são mais de três mil metros. Para deixar tudo pronto, os trabalhos de preparação do local começam pelo menos 15 dias antes do início dos festejos.
Começo de tudo
A história desta comunidade, que abriga uma das mais antigas e tradicionais festas religiosas de Mato Grosso, foi fruto de uma pesquisa da historiadora Salvelina Campos Pinheiro Melo, que é uma das descendentes. O estudo dela, que foi o trabalho de conclusão do curso na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, em 2001, conta um pouco das raízes da comunidade.
Denominada de “Colonização, decadência e religiosidade de Ponte Alta”, a pesquisa aponta que a área, de cerca de três mil hectares, onde está a comunidade pertencia, no século XIX, ao senhor de engenho Agostinho Pereira Macedo, inclusive a região abriga as ruínas do que um dia foi a Casa-grande.
Quando Agostinho, que também era conhecido como “capitão”, morreu, a propriedade passou para o Estado, já que não possuía herdeiros. Isso já no final do século XIX foi quando pela primeira vez em Mato Grosso, experimentar um projeto de reforma agrária.
Em 1898, cerca de 40 famílias de cearenses vieram para Mato Grosso, fugindo da seca “brava” que castigava o nordeste. Cada uma delas recebeu sete hectares no projeto de assentamento. Três anos depois, em 1901, mais uma leva de migrantes cearenses veio e se instalou na região. Ao longo das décadas seguintes, outros também vieram, buscando melhores condições de vida junto aos seus conterrâneos.
A pesquisa aponta que, no início dos anos 60, muitos moradores deixaram a comunidade. Eles foram atraídos pelos diamantes extraídos em regiões garimpeiras, em Paranatinga. Hoje, os descendentes estão espalhados por várias cidades. Mesmo assim, não se esquecem de suas raízes, reunindo uma vez por ano, numa grande festa, em torno do Dia de São Francisco.
Origem da festa
Quanto a origem da festa, Solange conta que um dos migrantes vindo da cidade de Canindé de São Francisco fez uma promessa ao seu santo de devoção que, se no lugar da nova morada tivesse água, ele traria uma imagem e construiria uma capela.
Em 1900, dois anos depois da chegada à região da Ponte Alta, feliz por morar em um lugar onde havia água em abundância e fartura de alimentos, o nordestino, cujo nome era Antônio Vicente, foi até o Ceará. Ao retornar para Mato Grosso, cumpriu a promessa, trazendo na bagagem uma imagem de São Francisco de Assis. A capela foi construída em regime de mutirão, pelos membros da comunidade.
Capela pronta, em 1912, decidiram fazer uma festa. Pediram ao fazendeiro vizinho a doação de carne. Ele disse que tinha um boi, que era muito bravo e se alongou no mato. Caso conseguisse apanhá-lo, poderiam matá-lo para ser servido na festa. “O tal boi foi capturado, começando assim a festa da Ponte Alta”, resume Solange.
Nos preparativos para a realização dos festejos, a fé se transforma em trabalho. Segundo ela, por dias a fio, os devotos de São Francisco dedicam-se ao trabalho de limpar o local da festa, enfeitar os salões onde acontecem os bailes, o leilão e são servidas as refeições, bem como no preparo das refeições. “Tudo é feito com doações e todos são voluntários, demonstrando que quem acredita também se doa para louvar nosso santo padroeiro”, frisa Solange.
Escolha dos organizadores da festa anual de São Francisco é por sorteio
De acordo com Solange Campos, todo ano são sorteadas quatro pessoas que assumirão as funções de festeiro, festeira, capitão do mastro e alferes da bandeira. “Eles terão a missão de preparar os festejos do ano seguinte, mantendo assim viva a nossa tradição”, explica.
Segundo ela, cabe a função do festeiro organizar todo o evento, pedir doações para os leilões e o custeio de despesas com alimentação, que é oferecida gratuitamente aos devotos. Geralmente, ele viaja por todos municípios do Estado, que contam membros da irmandade.
Já a festeira fica responsável de fazer a decoração de todo local. O capitão do mastro, por sua vez, tem a missão de escolher e extrair a madeira da mata, que mais tarde se transformará em um dos símbolos da festa. Só que a escolha ele não faz sozinho. “É acompanhado por amigos que cantam, dançam, tocam viola e acordeão e fazem brincadeiras”, conta Solange. Após a escolhida a madeira, cabe, então ao alferes enfeitar o mastro e confeccionar a bandeira, que traz a imagem de São Francisco. “Tudo é muito lindo. A história desta festa é encantadora”, completa
Solange revela que nos quatro dias de festa em homenagem a São Francisco de Assis, o protetor dos animais e padroeiro da ecologia, são rezados terços. No sábado é servida uma feijoada e ocorre uma procissão iluminada por velas, que sai da capela, contorna o pátio e volta ao ponto inicial. A missa acontece na abertura e no domingo, quando o prato principal do dia é um suculento churrasco. Já os bailes, que são famosos em toda região, acontecem todos os dias da festa. Toda a produção da festa é feita com doações e tudo de forma voluntária.
PROGRAMAÇÃO
QUARTA FEIRA
Missa na Capela da Comunidade da Ponte Alta
QUINTA FEIRA
Celebração as 19 hs
Jantar as 20 hs
Baile da Saudade (3ª idade de Campo Verde) com Neri Gaiteiro e Rafael.
SEXTA FEIRA
Café da manhã das 07 hs as 09 hs
Almoço das 11:30 as 14 hs
Levantamento do Mastro e Missa as 19 hs
Jantar das 20 hs as 22 hs
Baile as 21 hs com Banda Inocentes, Zeca e Carol, Agnelo dos teclados, Som Overnight, Neri Gaiteiro e Rafael.
SÁBADO
Café da manhã das 07 hs as 09 hs
Chegada da Cavalgada com abertura oficial e chegada de São Francisco
Inscrição para Moda de Viola as 10 hs
Almoço com tradicional feijoada das 11:30 as 14 hs
Apresentação da Moda de Viola as 14 hs
Inicio da Procissão com a imagem de São Francisco as 17:50 hs
Jantar das 20 hs as 22 hs
Baile as 21 hs com Banda Inocentes, Zeca e Carol, Agnelo dos teclados, Som Overnight, Neri Gaiteiro e Rafael.
 DOMINGO
Café da manhã das 07 hs as 09 hs
Missa festiva as 09 hs
Leilão de gado e prendas as 11 hs. Após o leilão escolha dos novos festeiros de 2018
Almoço dançante com Zeca e Carol das 11:30 as 14 hs


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